domingo, abril 26, 2026

Discurso oficial no dia 25 de abril, como líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal

 Caros munícipes,

No passado dia 25 de abril de 2026 fui convidado a intervir na Assembleia Municipal extraordinária, como parte das celebrações do 52.º aniversário do 25 de abril de 1974 e do 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa.

Aqui deixo a gravação vídeo do meu discurso e a sua transcrição.


Bom dia!

Cumprimento o Senhor Presidente da Assembleia Municipal, o Senhor Presidente da Câmara Municipal, os Vereadores, os Presidentes de Junta, as Senhoras e Senhores Deputados Municipais, as autoridades civis e militares, os profissionais que aqui estão a trabalhar, todos os presentes.

Mas dirijo-me a todas pessoas ansianenses, para celebrar o 25 de Abril.

Já aqui foi dito, também o digo, que é para aceitar a responsabilidade de protegermos e darmos continuidade a um aspeto que dá o nome ao 25 de abril: a liberdade.

Foi conquistada há 52 anos; e agora faz 50 anos, temos também o final desse processo: temos a Constituição democrática. 

Agora é muito fácil repetir palavras - tenho-as aqui todas apontadas: liberdade, democracia, pluralismo, tolerância.

Mas o difícil é praticá-las. 

É que, no dia a dia, facilmente e cada vez mais discordamos muito profundamente uns dos outros. 

É muito difícil defender estas palavras quando a opinião não agrada, quando a crítica incomoda, quando a alternância acontece, quando há de facto adversários políticos. 

Só que a liberdade que nos deu o 25 de Abril não tem donos. Não é para ser guardada num discurso anual inócuo… Até agradeço ao anterior presidente da Assembleia Municipal, aqui presente: não é para ser guardada em formol. Agradeço-lhe, lembro-me de ter falado dessa forma e acho muito bem.

Mas temos agora a necessidade de viver o processo democrático de Abril todos os dias: nas escolas, aqui na Assembleia Municipal, nesta Câmara Municipal, nas juntas de freguesia, nas empresas, nas associações, em cada conversa. 

E queria dizer-vos que esta liberdade nunca esteve assegurada; e não está assegurada. 

A sua defesa tem de ser diária e pertence-nos a todos. 

Eu vou regressar a 74: em 1974 no 25 de abril [correção: 1 de maio] o meu pai discursou da varanda deste edifício, até desfalecer: teve que pedir para o agarrarem quando chegou ao final. Depois foi fundador do PSD em Ansião, foi vice-presidente da Câmara Municipal no período imediatamente a seguir, e viveu a esperança desses tempos.

Mas também conheceu as dificuldades de assegurar a liberdade num período em que a liberdade estava a aprender o que é que era isso: ser liberdade.

E nesses tempos, acho que é icónico, teve uma arma apontada à cabeça no Fundo da Rua.

Já não se lembra qual foi a discussão, mas lembra-se do motivo. O motivo foi: "Falas muito".

Eu não digo isto para abrir feridas antigas, tudo isto está no passado. Mas é para lembrar uma coisa simples: é que aquilo que nessa altura começou com uma luta continua até hoje, e temos que a manter.

A democracia portuguesa não nasceu arrumadinha, limpa, pacífica... em todos os momentos.

Teve confronto, teve excessos, teve coragem. 

E houve quem, nessa altura, tivesse de defender a liberdade não em abstrato, mas com risco pessoal, com pressão social, com intimidação concreta. 

Por isso, quando hoje celebramos Abril, não devemos fazê-lo como quem se coloca assim, acima dos outros, donos de Abril.

Devemos fazê-lo com humildade. 

A liberdade não é propriedade de nenhum partido.

Não pertence a nenhum movimento, a nenhuma maioria...a liberdade não pertence, também, a nenhuma minoria. A liberdade pertence ao povo português. E aqui em Ansião, pertence aos ansianenses.

Esta Câmara não é de quem a governa. A Câmara é de Ansião. A Assembleia Municipal não é de quem ofende ou faz juízos de intenção para condicionar a liberdade dos adversários e tentar, dessa forma, ficar com a palavra: é dos cidadãos que nela aqui estão representados. 

Portanto, o 25 de Abril não é de quem grita mais alto, ou mais se enfantocha a dizer: “liberdade, liberdade!”. Não, não: falar é fácil. O 25 de Abril é de quem aceita que o outro possa pensar diferente, sem por isso ser menos pessoa. É de quem distingue que aquilo que o outro diz pode ser horrível, mas a pessoa não é horrível. 

O que nós dizemos não é quem somos. É muito importante não o esquecer. 

A democracia tem hoje inimigos evidentes: a violência, a intimidação, o fanatismo, o extremismo, a mentira deliberada, e mais uma vez: a tentativa de desumanizar o adversário. 

Mas tem inimigos mais subtis, que nós toleramos e achamos graça: o hábito de chamar “facho” ou “esquerdalho” a quem discorda de nós; o vício de achar que só alguns é que têm legitimidade democrática; ou a tentação de travar a liberdade: tratá-la como se fosse um certificado passado por família política a outra.

Isso não é Abril. Isso é contrário... Isso é o contrário do espírito de Abril.

Discordar é democrático. Fiscalizar é democrático. Criticar é democrático. Manifestar-se é democrático. Votar livremente é democrático. 

O que não é democrático é transformar adversários em inimigos. O que não é democrático é aceitar a liberdade apenas quando ela confirma o que nós já acreditamos.

E, infelizmente, nós vivemos tempos em que eu tenho que vir aqui voltar a dizer isto.

No país, na Europa, no mundo, vemos crescer ódio, radicalismo, ressentimentos... e eu diria algo ainda mais grave, porque esses são fáceis de combatermos.

Crescem simplificações perigosas. Há quem queira substituir a liberdade pelo medo, pelas repostas simples ou fingir que tem soluções simples. 

E quando a violência entra na vida política, deve servir de alerta a todos. 

Não é por estarmos longe que não possa acontecer em Ansião. Não interessa se vem da direita, da esquerda, do centro. Geralmente vem de quem acha que está acima de todos. Uma arma apontada em 74, ou 75 ou 76, ou em 80... o meu pai felizmente já não... já [se] esquece disso, nem se lembra do ano em que aconteceu.

Ou um cocktail molotov atirado contra uma manifestação, agora em 2026. 

Isto não é uma opinião mais exaltada. Uma ameaça não é um debate, uma intimidação não é intervenção cívica: a violência política é sempre uma derrota da democracia. 

Por isso, a melhor homenagem que podemos prestar ao 25 de Abril é comprometermo-nos com uma cultura democrática mais exigente.

Significa reconhecer que Abril, também, precisa que as pessoas parem de falar só, e juntem ao falar o ato e serem eficazes. 

E aqui no poder local também. Um governo local que passe a ser eficaz. 

Cumpre-se um Abril quando uma estrada é arranjada, quando uma família encontra resposta, quando uma criança é protegida, quando uma associação é ouvida, quando uma freguesia não é esquecida, quando a gestão pública é feita com rigor e sentido de serviço. 

Ansião precisa de uma democracia viva, não apenas de uma democracia de cerimónias. 

Precisa de participação, por isso tanto gostei de ver as crianças das escola vir ontem à Assembleia Municipal e gosto tanto de ver tanta gente nestas bancadas. 

Precisa de debate, precisa de exigência, precisa de capacidade de ouvir. 

E precisa de memória, mas também de futuro. Precisa de honrar quem abriu caminho, mas também de dar razões aos mais novos, que aqui estão, para acreditarem que a política vale a pena. E talvez este seja um dos maiores desafios do nosso tempo: mostrar às novas gerações que a democracia não é apenas o direito de votar de quatro em quatro anos. 

É o direito de discordar sem medo. É o direito de participar sem pedir licença. É o direito de criticar sem ser rotulado.

É o direito de servir a comunidade sem ser tratado como inimigo. Eu nesta Assembleia Municipal já fui chamado de ignorante, já fui chamado de burro, já fui chamado de... ...qual foi a última? Qual fui a última...? De intelectualmente desonesto... enfim. 

Eu tenho opiniões: não devo ser um inimigo. E assim penso para os outros. 

Em nome da bancada do PSD, deixo hoje aqui, para terminar, uma palavra de compromisso. 

Defenderemos Abril defendendo a liberdade de todos. 

Defenderemos a democracia focando o escrutínio e o debate nos factos, não em juízos de valor sobre as pessoas. 

Defenderemos Ansião trabalhando a sério - a sério, mesmo - para que a alternância democrática se traduza em melhor serviço público, mais proximidade, mais rigor e mais futuro. 

O 25 de Abril ensinou-nos que nenhum poder é eterno. 

Nenhuma maioria é dona da verdade.

Nenhum partido é dono da liberdade. 

Nenhum cidadão deve ter medo de pensar, de falar, de votar ou de participar. 

E só desejo que saibamos, em Ansião, continuar, como temos estado (e aqui eu acho que não devemos ser pessimistas, mas sim otimistas, e realistas): continuarmos a saber estar à altura desta herança. 

Viva o 25 de Abril.

Viva a democracia. 

Viva Ansião.

Viva Portugal.

sexta-feira, setembro 29, 2023

Poço do Carvalhal e centro da vila de Ansião: Intervenção na Assembleia Municipal de 29/09/2023

Caros munícipes,



Aqui deixo o teor da minha principal intervenção, feita há momentos na Assembleia Municipal que hoje se realiza:

Comemora-se este ano uma efeméride que quero referir.

Completam-se 10 anos da primeira campanha arqueológica promovida pelo Município de Ansião no Poço do Carvalhal. Conhecíamos antes a existência de vestígios romanos e de uma galeria. Graças a essa campanha arqueológica, promovida no último mandato do seu antecessor Rui Rocha, de quem orgulhosamente integro esta banda da assembleia, podemos hoje todos saber a importância efetiva do que lá se encontra, visto o relatório estar publicado online, na Revista Portuguesa de Arqueologia.

Pergunto-lhe, senhor presidente, como já foi feito aqui noutras ocasiões, mas agora por ocasião dos 10 anos da campanha arqueológica: quando terminará a inação deste executivo com o património do Poço do Carvalhal?

Permita-me ainda referir algo mais. No início deste mês, em Santiago da Guarda, tive a oportunidade de participar no colóquio do Fórum Romano, onde ficou clara a expetativa de existência de vestígios significativos em vários outros locais do concelho, além de Santiago da Guarda. Temos de facto património romano valioso, ao contrário do que se pensava - por ignorância - há apenas poucas décadas.

Mereceria um rasgo de novidade, que promovesse além-concelho este evento de fim de semana, que lhe introduzisse novidades. Mesmo para o público do concelho, dever-se-ia promover maior divulgação, inclusivamente com vídeos de edições anteriores que permitisse às pessoas saber o que ocorreu em anos anteriores - e que se inove, dado que as edições têm vindo a ter pouco rasgo inovador e até alguma mistura musical com a baixa idade média.

No colóquio, em debate com os especialistas, referi os vestígios descobertos no centro da vila, já há várias décadas, infelizmente não preservados. 

Um dos investigadores do colóquio referiu que frequentemente os edifícios posteriores foram feitos sobre os antigos. Exemplo disso foram as sondagens efetuadas - e hoje visitáveis - em Lisboa sob o Banco de Portugal, entre tantos outros exemplos pelo mundo. Valeria a pena promover a sondagem em pequenas tiras exploratórias, inclusivamente sob o edifício dos Paços de Concelho, dados que foi na sua vizinhança que se encontraram os vestígios de uma forja, como publicou o Padre Coutinho, inclusivamente com um testemunho do meu avô. Inclusivamente poder-se-ia pensar como fazer algo a este respeito tendo presente que há tantos edifícios por perto quase devolutos. Gostaria de saber qual a sua abertura a esta ideia.

quinta-feira, maio 25, 2023

Intervenções: ChatGPT e outras inteligências artificiais na transformação do ensino, Universidade Aberta (Delegação de Coimbra)

Decorreu hoje na Delegação Regional de Coimbra da Universidade Aberta esta apaixonante mesa-redonda, onde tive o prazer de debater o tema das novas inteligências artificiais na transformação do ensino, com os colegas Penousal Machado da Universidade de Coimbra e Dionísio Vila Maior da Universidade Aberta, sob moderação do colega João Caetano, da Universidade Aberta.

(Fotografia de Maribel Santos Miranda Pinto.)

Enquanto aguardo pela gravação para a transcrever, deixo aqui de memória (e por isso imperfeitamente) uma síntese das minhas intervenções.

Intervenção de apresentação

Dedico-me a usar e transformar a tecnologias para que as pessoas aprendam mais e melhor: para que sejam mais livres. Para que mais gente possa dominar conceitos complexos e tirar partido dessa compreensão do mundo no seu dia a dia. Comecei ainda na licenciatura, pois o meu projeto final orientado pelo Prof. Dias de Figueiredo foi um jogo para ensino da língua francesa. Continuei no doutoramento, com uso da programação de computadores em contexto pré-escolar e depois levando a investigação a muitos outros contextos, quer no ensino básico e secundário, quer no superior, passando pela formação militar em colaboração com a Força Aérea e com a formação profissional em contextos empresariais. Cá estou, portanto, a analisar a mais nova tecnologia que afeta os processos de ensino e de aprendizagem.

1.ª Intervenção no debate

Encaro como equivocadas posições que encaram um ser humano dominador do mundo ou em controlo do seu destino, não olhando para a sua fragilidade. Não é verdade que uma máquina nunca substitua um ser humano: mesmo um objeto como a mesa que temos à nossa frente nos substitui, porque no espaço e tempo que ocupa, não podemos estar no lugar dela. Temos de contornar ou remover. Podemos também apoiar-nos nela para chegar mais alto. Mas o espaço e tempo que a mesa ocupa é só dela. Assim, o tempo que dedicamos a interagir com uma inteligência artificial não usamos para outra coisa. E o tempo que ela nos liberta podemos ocupar com outra coisa. Independentemente do valor que atribuamos a esses tempos, eles existem e neles fomos substituídos no sentido em que esse tempo foi ocupado.

Também encarar, como foi perguntado, o uso da tecnologia como uma questão de confiança é um caso de equívoco quanto a esse papel do ser humano. Não precisamos de confiar num carro para ser atropelados por ele. Não precisamos de confiar no telemóvel para ao recusarmo-nos a usá-lo estarmos a transmitir a outros seres humanos a nossa vontade de estarmos incontactáveis, de estarmos menos disponíveis do que a sociedade espera. A tecnologia não é neutra: pela sua existência afeta a sociedade e a nossa relação com ela não é apenas do indivíduo com a tecnologia, é do indivíduo com a sociedade.

Por fim, foi referido que o ChatGPT "só" (assim, entre aspas, com alguma ironia) adivinha a palavra seguinte, sem planear as frases ou os textos. Este "só" é de facto muito irónico, porque não se refere apenas à simplicidade do que faz advir de processos complexos: também ironiza que a mera sequência pode fazer emergir resultados complexos. Tomemos uma molécula de ADN: as enzimas que a percorrem "só" produzem proteínas nesse processo, linha a linha. Contudo, essa mera geração de proteínas, linha a linha, produz toda a vida que existe na terra. A complexidade emerge dos processos simples.

Assim, a relação do ChatGPT com a educação não será previsível senão em aspetos muito limitados no tempo e no espaço, no curto prazo. A sociedade e a educação são sistemas caóticos. Não no sentido popular de desorganizados, mas no sentido matemático da sua evolução serem muitíssimo sensíveis a pequenas variações dos valores iniciais, a ponto de não ser possível prevê-la com menos esforço do que o próprio acompanhamento dos sistemas. Por isso, quando surge um fator tão potenciador como as inteligências artificiais de fácil acesso aos cidadãos, as transformações a médio e longo prazo serão um acumular de pequenas transições, multifacetadas, que levarão à emergências de dinâmicas inesperadas. Não são transformações lineares, sejam elas boas ou más, mas sim complexas, por camadas, por ínfimas e intricadas cambiantes.

Por isso devemos estar de espírito aberto para as detetar, interpretar e acompanhar, procurando compreendê-las e refletir sobre elas.

2.ª Intervenção no debate

Temos estado, entre nós e nas perguntas do público, a exercer o pensamento crítico sobre os contributos das inteligências artificiais. Estas poderão ser a alavanca para a educação verdadeiramente adotar prioridades que há mais de cem anos vêm sendo defendidas, mas pouco praticadas: a ênfase no pensamento crítico, na transferência do conhecimento para novas situações, na reflexão aprofundada. Isto porque a tecnologia não determina o que fazemos após recebermos uma resposta a um pedido. O que fazemos é uma decisão nossa. Podemos optar por aceitar uma resposta e usar o tempo para outras atividades, ou sermos mais ambiciosos e tentar ir além dela.

Isto porque a sociedade e a educação acompanham os processos educativos, mas centram o acompanhamento e avaliação (tanto para feedback como para certificação) na apreciação de produtos. Como os textos ou produções tinham de ser feitos pelos estudantes, permitiam analisar o seu pensamento. Essa elaboração, contudo, implicava o domínio de técnicas basilares, que eram também o foco do ensino, avaliação e produção.

Como agora essa produção se torna quase imediata e fácil, um desafio da educação será precisamente centrar o esforço não no domínio das técnicas basilares, mas sim na apreciação crítica, na definição da qualidade, na invenção de problemas para evolução, para definir novos objetivos. Isto porque até agora só políticos, dirigentes empresariais ou de organizações sociais dispunham de equipas de estagiários e especialistas ao seu serviço. Agora todos os cidadãos podem contar com uma equipa ao seu dispor. Todos podem ter ao seu serviço estagiários e especialistas, de inteligência artificial, com a natural incerteza quanto à qualidade e rigor do seu desempenho. Tal como com humanos, um estagiário pode fazer um trabalho de rigor ou inventar algo mal-amanhado, para tentar satisfazer um pedido. É preciso estar atento e ter sentido crítico para apreciar os contributos da equipa. Da mesma forma, um especialista pode estar a dar um contributo enviesado, interesseiro ou tendencioso, preocupações que quem a eles recorre tem de ter presentes. Desta forma, o novo desafio da educação será conseguir que as pessoas desenvolvam capacidades de coordenação destas equipas, de definição de objetivos, de aferição crítica dos contributos recebidos, de coordenação da qualidade e do sentido.

3.ª Intervenção no debate

Estas transformações da educação oferecem enormes desafios de implementação prática. A educação centra-se em processos humanos de apoio e acompanhamento: embora qualquer pessoa tenha a capacidade individual de aprender sozinha, estudando por si, sabemos que a não interação, quando vista de forma transversal à sociedade, tem poucos resultados. É essencialmente um processo entre humanos, acompanhando, encorajando, orientando, dando feedback. Mas o tempo e esforço da generalidade dos docentes estão organizados para a apreciação de produtos intelectuais estáticos. Para se poder acompanhar os processos intelectuais e não os produtos, torna-se necessário generalizar abordagens de aprendizagem baseada em projetos ou problemas, colaborativas, participativas. A generalidade dos professores não domina instrumentos ou processos para massificar estas abordagens com os números de alunos com que têm de lidar, pelo que se torna necessário uma grande reconversão individual e organizacional de todo o processo, de forma dificilmente previsível.

Leonel Morgado, 25 de maio de 2023

quinta-feira, março 30, 2023

Folhas de cálculo: como consolidar várias colunas numa

Um problema que volta e meia ocorre é como criar listas a partir de texto como este:

Relatório 1: Localidade1, Localidade2 Relatório 2: Localidade1 Relatório 3: Localidade2, Localidade 3, Localidade 4 ...

Podemos copiar isto para uma folha de cálculo como o Excel ou o Google Sheets, dividir o texto em colunas por ":", para nos livrarmos do texto "Relatório x".

Contudo, depois ficamos com algo assim:
Ou, se transpusermos:

Há muito tempo que procurava uma forma de transformar isto rapidamente numa coluna só na própria folha de cálculo, sem introduzir macros (depois a folha não pode ser partilhada tão facilmente com outras pessoas) ou sem processar com código o texto de origem (que por vezes está malformado e requer muitas exceções particulares, mais rápidas de detetar na folha de cálculo).

Pois bem, hoje o Bing Chat resolveu num instante. E funciona, aqui está em versão Excel de Portugal:

=SE.ERRO(ÍNDICE($A:$C;RESTO(LIN()-LIN($D$1);MÁXIMO(CONTAR.VAL($A:$A);CONTAR.VAL($B:$B);CONTAR.VAL($C:$C)))+1;INT((LIN()-LIN($D$1))/MÁXIMO(CONTAR.VAL($A:$A);CONTAR.VAL($B:$B);CONTAR.VAL($C:$C))+1));"")

No Excel em inglês:

=IFERROR(INDEX($A:$C,MOD(ROW()-ROW($D$1),MAX(COUNTA($A:$A),COUNTA($B:$B),COUNTA($C:$C)))+1,INT((ROW()-ROW($D$1))/MAX(COUNTA($A:$A),COUNTA($B:$B),COUNTA($C:$C))+1)),"")

A explicação vem a seguir. Vem em inglês, porque quando tento que ele use fórmulas em português faz misturas entre as fórmulas das versões de Excel de Portugal e do Brasil:






quarta-feira, março 01, 2023

IA imagina a fundação da Universidade de Coimbra com a assinatura do Scientiae thesaurus mirabilis

Hoje a Universidade de Coimbra, minha alma mater de licenciatura, celebra 733 anos de existência.
Como temática de homenagem, usei uma combinação de técnicas de inteligência artificial generativa para gerar imagens desse momento.

1.º Usei o chat do Bing para gerar um prompt para os sistemas de geração de imagens com Stable Diffusion:

A photojournalism shot of the signing of the papal bull "Scientiae thesaurus mirabilis" by king D. Dinis of Portugal in 1290, which granted privileges and immunities to the University of Coimbra. The scene shows the king and his court in a Gothic-style hall within the royal palace wing he built within the castle of Leiria. The papal bull is on a wooden table with a quill and an inkwell. The participants are wearing medieval clothing with rich colors and patterns. Some of them are Saint Elizabeth of Portugal (the king's wife), Afonso Sanches (the king's illegitimate son) and João Afonso de Albuquerque (the king's chancellor). Some are smiling, some are serious, some are curious. #historical #realistic #detailed

2.º Usei em paralelo o Midjourney e o Blue Willow com este prompt.

Midjourney:



Algumas variantes ampliadas:

Blue Willow:

Variante ampliada:


3.º: Reformulei o prompt para tentar evitar o estilo de pintura, usando as tags finais:
#historical style:realistic #detailed #cinematic #lifelike

Midjourney:


Blue Willow:

Variantes:
Ampliadas:

4.º: expliquei o problema ao chat do Bing, que me sugeriu alterar o prompt, mas os resultados foram idênticos.


5.º Pedi ao chat do Bing para reformular o prompt, mas impondo que todos os aspetos sobre a estética da imagem resultante fossem enfatizados no início:
#realistic #detailed #cinematic #lifelike A photojournalistic shot of the signing of the papal bull “Scientiae thesaurus mirabilis” by King D. Dinis of Portugal in 1290, which granted privileges and immunities to the University of Coimbra. The scene shows the king and his court in a Gothic-style hall within the royal palace wing he built within the castle of Leiria. The papal bull is on a wooden table with a quill and an inkwell. The participants are wearing medieval clothes with rich colors and patterns. Some of them are Saint Elizabeth of Portugal (the king’s wife), Afonso Sanches (the king’s illegitimate son) and João Afonso de Albuquerque (the king’s chancellor). They have different expressions on their faces: some are smiling, some are serious, some are curious. Additional details: The image has a high contrast and brightness that creates sharp edges and vivid colors. The lighting is natural and comes from the windows that cast shadows on the walls and floor. The depth of field is shallow and focuses on the king and his closest advisors, while blurring out the background characters. The perspective is slightly tilted and shows some distortion at the edges of the frame.

6.º Imagens resultantes:
Midjourney:

Blue Willow:

Variantes das mais fotográficas:










sábado, fevereiro 11, 2023

Educational Practices and Strategies with Immersive Learning Environments: Mapping of Reviews for using the Metaverse

I'm extremely happy. These results will help out a lot of people working in Educational Technology research. And perhaps in many other areas. If you work in wicked problem areas, in complexity, take a look.

This is not your typical "one more for the heap" review.

Educational Practices and Strategies with Immersive Learning Environments: Mapping of Reviews for using the Metaverse
https://ieeexplore.ieee.org/document/10041969

So much to unpack here. Let's start!

First, getting the bean counting out of the way. These results came out in IEEE Transactions on Learning Technologies, a Q1 top-10 journal in e-learning (Scimago), WoS IF 4.433, Q1 WoS JCR (Education & Educational Research), Q1 Scopus (Computer Science Applications, Engineering, Education).



Now for the interesting stuff.
Unlike most reviews, we set to provide a way to navigate Immersive Learning Research not only now, but for the future. One that can be updated, tested, and validated or contradicted.

We also sought to enable people to do replicable and comparable "outcomes" research.

The problem with seeking outcomes in complex areas and wicked problems - like learning research, but many other, is that you're usually comparing apples and oranges. One might say "oh, I got these results with technology". Another might say "Funny enough, I got different results with the same technology". "That's a start, but how did you use that technology? How was it introduced and involved in the overall activities?"

So most educational technology research isn't really replicable or comparable.
And wishing for detailed pedagogical descriptions and details is mostly unfeasible in today's research panorama: publications still impose page limits. Publications do not require detailed descriptions of practice. Only traditional and commonplace approaches are replicable with some degree of confidence on their similarity.

So we approached this by creating a framework from the literature. By mapping what is being done, and how it is being done, instead of searching for effects, impacts, or outcomes.

Here's what you'll find:

1. A working definition of "educational practices", "educational strategies"

    This provides a way to analyse the literature of a complex field of practice by categorizing actual reported accounts into "uses" (previously defined), "practices", and "strategies". This goes from operational, no explicit rationale actions ("uses"), to tactical, explicit rationale "practices", all the way to big-picture guidelines, theories or even structured pedagogic plans ("strategies").

    Thus, you can position research at similar practice levels of its description, and hopefully get more comparable and reproducible results.

2. A way to map the literature of a complex field by mapping its practices to its strategies

 This enables you to focus your inquiry on related areas. Instead of navigating long lists or trees of topics, by mapping practices to strategies, you can visualize clusters of affinity... and either focus your literature inquiries on those, of seek out connections and reports between distant clusters and nodes, to identify innovators or opportunities for innovation and discovery. 

3. An application of this to Immersive Learning Research

    We present the practices and strategies we identified in the field's literature and the clusters they formed when related to each other, providing a map. This outcome serendipitously looked like a brain, so it was dubbed "the Immersive Learning Brain". There is no intent to link it to actual biological brains!

4. This method can be scrutinized!

               The way we map practices to strategies:

                              - can be subjected to large-scale inquiry;

                              - can be redrawn with different criteria;

                              - enables those redrawings to be compared (for example, compare the theoretical affinity we used with actual co-occurrence in field reports).

We hope thus that this in itself can aid immersive learning researchers and practitioners directly, but also researchers in many other areas, who can adopt similar approaches to map their fields and, from then on, pursue more grounded research questions. Hopefully, to make insightful discoveries!

sexta-feira, fevereiro 10, 2023

Intervenção na Assembleia Municipal de Ansião (10 de fevereiro de 2023) - Santiago da Guarda

 Caros munícipes.

Cumprindo a nossa proposta durante as última eleições, novamente tivemos uma Assembleia Municipal descentralizada. Depois do Avelar, desta feita em Santiago da Guarda, com o acolhimento do CAAS - Centro de Amizade e Animação Social.


Deixo aqui a minha intervenção no ponto 1 da Ordem do Dia:
Ex.mo Senhor Presidente,

Tenho tido conhecimento das atividades culturais que vão acontecendo, mas várias vezes só após terem ocorrido.
É uma situação que se repete, trimestre após trimestre: imprime-se a agenda e envia-se... já decorridos vários dos eventos nela referidos. Este trimestre, chegou às caixas de correio já ia janeiro a meio, com eventos do início do mês que não foram divulgados atempadamente.
Mesmo quando a consulto online, constato que não constam dela eventos que a câmara organiza. Alguns ainda pude encontrar no Facebook, como a Homenagem ao Dr. Fernando Travassos. Mas outros que constam da agenda não constam do mural.
Mesmo quando são anunciados, são-no frequentemente de forma deficiente, algo "administrativa".
A última situação de que tive conhecimento foi de um conjunto de concertos de qualidade que ocorreu na mata com um punhado de pessoas presentes, resultado certamente da fraca divulgação, e decorrente desaproveitamento do investimento público.
Fui tentar saber o que ocorreu, mas tive de ir ao sítio Web do espaço Esporo Cultura:
Concerto: Homem em Catarse
Performance: Carmim de Joana Martins
Concerto: Mário Delgado
Performance: Rizoma de Rita Carmo Martins
Concerto: Sérgio Carolino

Fui ver o que dizia a Agenda Cultural do Município. Para 18 de setembro, consta apenas: "Apresentação da Rota Esporo - Será apresentado o resultado de um projeto cultural e artístico". Mais opaco não podia ser.

"Resultado de um projeto" é muito diferente de dizer aos munícipes "vários concertos e performances".

Seria possível, já que se emprega dinheiro público para os eventos e para a sua divulgação, que haja divulgação adequada e que ela ocorra antes dos eventos, não depois? Como pensa mudar a prática que se vem enraizando, de deixar ao sabor do acaso essa divulgação?