domingo, abril 26, 2026

Discurso oficial no dia 25 de abril, como líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal

 Caros munícipes,

No passado dia 25 de abril de 2026 fui convidado a intervir na Assembleia Municipal extraordinária, como parte das celebrações do 52.º aniversário do 25 de abril de 1974 e do 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa.

Aqui deixo a gravação vídeo do meu discurso e a sua transcrição.


Bom dia!

Cumprimento o Senhor Presidente da Assembleia Municipal, o Senhor Presidente da Câmara Municipal, os Vereadores, os Presidentes de Junta, as Senhoras e Senhores Deputados Municipais, as autoridades civis e militares, os profissionais que aqui estão a trabalhar, todos os presentes.

Mas dirijo-me a todas pessoas ansianenses, para celebrar o 25 de Abril.

Já aqui foi dito, também o digo, que é para aceitar a responsabilidade de protegermos e darmos continuidade a um aspeto que dá o nome ao 25 de abril: a liberdade.

Foi conquistada há 52 anos; e agora faz 50 anos, temos também o final desse processo: temos a Constituição democrática. 

Agora é muito fácil repetir palavras - tenho-as aqui todas apontadas: liberdade, democracia, pluralismo, tolerância.

Mas o difícil é praticá-las. 

É que, no dia a dia, facilmente e cada vez mais discordamos muito profundamente uns dos outros. 

É muito difícil defender estas palavras quando a opinião não agrada, quando a crítica incomoda, quando a alternância acontece, quando há de facto adversários políticos. 

Só que a liberdade que nos deu o 25 de Abril não tem donos. Não é para ser guardada num discurso anual inócuo… Até agradeço ao anterior presidente da Assembleia Municipal, aqui presente: não é para ser guardada em formol. Agradeço-lhe, lembro-me de ter falado dessa forma e acho muito bem.

Mas temos agora a necessidade de viver o processo democrático de Abril todos os dias: nas escolas, aqui na Assembleia Municipal, nesta Câmara Municipal, nas juntas de freguesia, nas empresas, nas associações, em cada conversa. 

E queria dizer-vos que esta liberdade nunca esteve assegurada; e não está assegurada. 

A sua defesa tem de ser diária e pertence-nos a todos. 

Eu vou regressar a 74: em 1974 no 25 de abril [correção: 1 de maio] o meu pai discursou da varanda deste edifício, até desfalecer: teve que pedir para o agarrarem quando chegou ao final. Depois foi fundador do PSD em Ansião, foi vice-presidente da Câmara Municipal no período imediatamente a seguir, e viveu a esperança desses tempos.

Mas também conheceu as dificuldades de assegurar a liberdade num período em que a liberdade estava a aprender o que é que era isso: ser liberdade.

E nesses tempos, acho que é icónico, teve uma arma apontada à cabeça no Fundo da Rua.

Já não se lembra qual foi a discussão, mas lembra-se do motivo. O motivo foi: "Falas muito".

Eu não digo isto para abrir feridas antigas, tudo isto está no passado. Mas é para lembrar uma coisa simples: é que aquilo que nessa altura começou com uma luta continua até hoje, e temos que a manter.

A democracia portuguesa não nasceu arrumadinha, limpa, pacífica... em todos os momentos.

Teve confronto, teve excessos, teve coragem. 

E houve quem, nessa altura, tivesse de defender a liberdade não em abstrato, mas com risco pessoal, com pressão social, com intimidação concreta. 

Por isso, quando hoje celebramos Abril, não devemos fazê-lo como quem se coloca assim, acima dos outros, donos de Abril.

Devemos fazê-lo com humildade. 

A liberdade não é propriedade de nenhum partido.

Não pertence a nenhum movimento, a nenhuma maioria...a liberdade não pertence, também, a nenhuma minoria. A liberdade pertence ao povo português. E aqui em Ansião, pertence aos ansianenses.

Esta Câmara não é de quem a governa. A Câmara é de Ansião. A Assembleia Municipal não é de quem ofende ou faz juízos de intenção para condicionar a liberdade dos adversários e tentar, dessa forma, ficar com a palavra: é dos cidadãos que nela aqui estão representados. 

Portanto, o 25 de Abril não é de quem grita mais alto, ou mais se enfantocha a dizer: “liberdade, liberdade!”. Não, não: falar é fácil. O 25 de Abril é de quem aceita que o outro possa pensar diferente, sem por isso ser menos pessoa. É de quem distingue que aquilo que o outro diz pode ser horrível, mas a pessoa não é horrível. 

O que nós dizemos não é quem somos. É muito importante não o esquecer. 

A democracia tem hoje inimigos evidentes: a violência, a intimidação, o fanatismo, o extremismo, a mentira deliberada, e mais uma vez: a tentativa de desumanizar o adversário. 

Mas tem inimigos mais subtis, que nós toleramos e achamos graça: o hábito de chamar “facho” ou “esquerdalho” a quem discorda de nós; o vício de achar que só alguns é que têm legitimidade democrática; ou a tentação de travar a liberdade: tratá-la como se fosse um certificado passado por família política a outra.

Isso não é Abril. Isso é contrário... Isso é o contrário do espírito de Abril.

Discordar é democrático. Fiscalizar é democrático. Criticar é democrático. Manifestar-se é democrático. Votar livremente é democrático. 

O que não é democrático é transformar adversários em inimigos. O que não é democrático é aceitar a liberdade apenas quando ela confirma o que nós já acreditamos.

E, infelizmente, nós vivemos tempos em que eu tenho que vir aqui voltar a dizer isto.

No país, na Europa, no mundo, vemos crescer ódio, radicalismo, ressentimentos... e eu diria algo ainda mais grave, porque esses são fáceis de combatermos.

Crescem simplificações perigosas. Há quem queira substituir a liberdade pelo medo, pelas repostas simples ou fingir que tem soluções simples. 

E quando a violência entra na vida política, deve servir de alerta a todos. 

Não é por estarmos longe que não possa acontecer em Ansião. Não interessa se vem da direita, da esquerda, do centro. Geralmente vem de quem acha que está acima de todos. Uma arma apontada em 74, ou 75 ou 76, ou em 80... o meu pai felizmente já não... já [se] esquece disso, nem se lembra do ano em que aconteceu.

Ou um cocktail molotov atirado contra uma manifestação, agora em 2026. 

Isto não é uma opinião mais exaltada. Uma ameaça não é um debate, uma intimidação não é intervenção cívica: a violência política é sempre uma derrota da democracia. 

Por isso, a melhor homenagem que podemos prestar ao 25 de Abril é comprometermo-nos com uma cultura democrática mais exigente.

Significa reconhecer que Abril, também, precisa que as pessoas parem de falar só, e juntem ao falar o ato e serem eficazes. 

E aqui no poder local também. Um governo local que passe a ser eficaz. 

Cumpre-se um Abril quando uma estrada é arranjada, quando uma família encontra resposta, quando uma criança é protegida, quando uma associação é ouvida, quando uma freguesia não é esquecida, quando a gestão pública é feita com rigor e sentido de serviço. 

Ansião precisa de uma democracia viva, não apenas de uma democracia de cerimónias. 

Precisa de participação, por isso tanto gostei de ver as crianças das escola vir ontem à Assembleia Municipal e gosto tanto de ver tanta gente nestas bancadas. 

Precisa de debate, precisa de exigência, precisa de capacidade de ouvir. 

E precisa de memória, mas também de futuro. Precisa de honrar quem abriu caminho, mas também de dar razões aos mais novos, que aqui estão, para acreditarem que a política vale a pena. E talvez este seja um dos maiores desafios do nosso tempo: mostrar às novas gerações que a democracia não é apenas o direito de votar de quatro em quatro anos. 

É o direito de discordar sem medo. É o direito de participar sem pedir licença. É o direito de criticar sem ser rotulado.

É o direito de servir a comunidade sem ser tratado como inimigo. Eu nesta Assembleia Municipal já fui chamado de ignorante, já fui chamado de burro, já fui chamado de... ...qual foi a última? Qual fui a última...? De intelectualmente desonesto... enfim. 

Eu tenho opiniões: não devo ser um inimigo. E assim penso para os outros. 

Em nome da bancada do PSD, deixo hoje aqui, para terminar, uma palavra de compromisso. 

Defenderemos Abril defendendo a liberdade de todos. 

Defenderemos a democracia focando o escrutínio e o debate nos factos, não em juízos de valor sobre as pessoas. 

Defenderemos Ansião trabalhando a sério - a sério, mesmo - para que a alternância democrática se traduza em melhor serviço público, mais proximidade, mais rigor e mais futuro. 

O 25 de Abril ensinou-nos que nenhum poder é eterno. 

Nenhuma maioria é dona da verdade.

Nenhum partido é dono da liberdade. 

Nenhum cidadão deve ter medo de pensar, de falar, de votar ou de participar. 

E só desejo que saibamos, em Ansião, continuar, como temos estado (e aqui eu acho que não devemos ser pessimistas, mas sim otimistas, e realistas): continuarmos a saber estar à altura desta herança. 

Viva o 25 de Abril.

Viva a democracia. 

Viva Ansião.

Viva Portugal.

sexta-feira, setembro 29, 2023

Poço do Carvalhal e centro da vila de Ansião: Intervenção na Assembleia Municipal de 29/09/2023

Caros munícipes,



Aqui deixo o teor da minha principal intervenção, feita há momentos na Assembleia Municipal que hoje se realiza:

Comemora-se este ano uma efeméride que quero referir.

Completam-se 10 anos da primeira campanha arqueológica promovida pelo Município de Ansião no Poço do Carvalhal. Conhecíamos antes a existência de vestígios romanos e de uma galeria. Graças a essa campanha arqueológica, promovida no último mandato do seu antecessor Rui Rocha, de quem orgulhosamente integro esta banda da assembleia, podemos hoje todos saber a importância efetiva do que lá se encontra, visto o relatório estar publicado online, na Revista Portuguesa de Arqueologia.

Pergunto-lhe, senhor presidente, como já foi feito aqui noutras ocasiões, mas agora por ocasião dos 10 anos da campanha arqueológica: quando terminará a inação deste executivo com o património do Poço do Carvalhal?

Permita-me ainda referir algo mais. No início deste mês, em Santiago da Guarda, tive a oportunidade de participar no colóquio do Fórum Romano, onde ficou clara a expetativa de existência de vestígios significativos em vários outros locais do concelho, além de Santiago da Guarda. Temos de facto património romano valioso, ao contrário do que se pensava - por ignorância - há apenas poucas décadas.

Mereceria um rasgo de novidade, que promovesse além-concelho este evento de fim de semana, que lhe introduzisse novidades. Mesmo para o público do concelho, dever-se-ia promover maior divulgação, inclusivamente com vídeos de edições anteriores que permitisse às pessoas saber o que ocorreu em anos anteriores - e que se inove, dado que as edições têm vindo a ter pouco rasgo inovador e até alguma mistura musical com a baixa idade média.

No colóquio, em debate com os especialistas, referi os vestígios descobertos no centro da vila, já há várias décadas, infelizmente não preservados. 

Um dos investigadores do colóquio referiu que frequentemente os edifícios posteriores foram feitos sobre os antigos. Exemplo disso foram as sondagens efetuadas - e hoje visitáveis - em Lisboa sob o Banco de Portugal, entre tantos outros exemplos pelo mundo. Valeria a pena promover a sondagem em pequenas tiras exploratórias, inclusivamente sob o edifício dos Paços de Concelho, dados que foi na sua vizinhança que se encontraram os vestígios de uma forja, como publicou o Padre Coutinho, inclusivamente com um testemunho do meu avô. Inclusivamente poder-se-ia pensar como fazer algo a este respeito tendo presente que há tantos edifícios por perto quase devolutos. Gostaria de saber qual a sua abertura a esta ideia.

quinta-feira, maio 25, 2023

Intervenções: ChatGPT e outras inteligências artificiais na transformação do ensino, Universidade Aberta (Delegação de Coimbra)

Decorreu hoje na Delegação Regional de Coimbra da Universidade Aberta esta apaixonante mesa-redonda, onde tive o prazer de debater o tema das novas inteligências artificiais na transformação do ensino, com os colegas Penousal Machado da Universidade de Coimbra e Dionísio Vila Maior da Universidade Aberta, sob moderação do colega João Caetano, da Universidade Aberta.

(Fotografia de Maribel Santos Miranda Pinto.)

Enquanto aguardo pela gravação para a transcrever, deixo aqui de memória (e por isso imperfeitamente) uma síntese das minhas intervenções.

Intervenção de apresentação

Dedico-me a usar e transformar a tecnologias para que as pessoas aprendam mais e melhor: para que sejam mais livres. Para que mais gente possa dominar conceitos complexos e tirar partido dessa compreensão do mundo no seu dia a dia. Comecei ainda na licenciatura, pois o meu projeto final orientado pelo Prof. Dias de Figueiredo foi um jogo para ensino da língua francesa. Continuei no doutoramento, com uso da programação de computadores em contexto pré-escolar e depois levando a investigação a muitos outros contextos, quer no ensino básico e secundário, quer no superior, passando pela formação militar em colaboração com a Força Aérea e com a formação profissional em contextos empresariais. Cá estou, portanto, a analisar a mais nova tecnologia que afeta os processos de ensino e de aprendizagem.

1.ª Intervenção no debate

Encaro como equivocadas posições que encaram um ser humano dominador do mundo ou em controlo do seu destino, não olhando para a sua fragilidade. Não é verdade que uma máquina nunca substitua um ser humano: mesmo um objeto como a mesa que temos à nossa frente nos substitui, porque no espaço e tempo que ocupa, não podemos estar no lugar dela. Temos de contornar ou remover. Podemos também apoiar-nos nela para chegar mais alto. Mas o espaço e tempo que a mesa ocupa é só dela. Assim, o tempo que dedicamos a interagir com uma inteligência artificial não usamos para outra coisa. E o tempo que ela nos liberta podemos ocupar com outra coisa. Independentemente do valor que atribuamos a esses tempos, eles existem e neles fomos substituídos no sentido em que esse tempo foi ocupado.

Também encarar, como foi perguntado, o uso da tecnologia como uma questão de confiança é um caso de equívoco quanto a esse papel do ser humano. Não precisamos de confiar num carro para ser atropelados por ele. Não precisamos de confiar no telemóvel para ao recusarmo-nos a usá-lo estarmos a transmitir a outros seres humanos a nossa vontade de estarmos incontactáveis, de estarmos menos disponíveis do que a sociedade espera. A tecnologia não é neutra: pela sua existência afeta a sociedade e a nossa relação com ela não é apenas do indivíduo com a tecnologia, é do indivíduo com a sociedade.

Por fim, foi referido que o ChatGPT "só" (assim, entre aspas, com alguma ironia) adivinha a palavra seguinte, sem planear as frases ou os textos. Este "só" é de facto muito irónico, porque não se refere apenas à simplicidade do que faz advir de processos complexos: também ironiza que a mera sequência pode fazer emergir resultados complexos. Tomemos uma molécula de ADN: as enzimas que a percorrem "só" produzem proteínas nesse processo, linha a linha. Contudo, essa mera geração de proteínas, linha a linha, produz toda a vida que existe na terra. A complexidade emerge dos processos simples.

Assim, a relação do ChatGPT com a educação não será previsível senão em aspetos muito limitados no tempo e no espaço, no curto prazo. A sociedade e a educação são sistemas caóticos. Não no sentido popular de desorganizados, mas no sentido matemático da sua evolução serem muitíssimo sensíveis a pequenas variações dos valores iniciais, a ponto de não ser possível prevê-la com menos esforço do que o próprio acompanhamento dos sistemas. Por isso, quando surge um fator tão potenciador como as inteligências artificiais de fácil acesso aos cidadãos, as transformações a médio e longo prazo serão um acumular de pequenas transições, multifacetadas, que levarão à emergências de dinâmicas inesperadas. Não são transformações lineares, sejam elas boas ou más, mas sim complexas, por camadas, por ínfimas e intricadas cambiantes.

Por isso devemos estar de espírito aberto para as detetar, interpretar e acompanhar, procurando compreendê-las e refletir sobre elas.

2.ª Intervenção no debate

Temos estado, entre nós e nas perguntas do público, a exercer o pensamento crítico sobre os contributos das inteligências artificiais. Estas poderão ser a alavanca para a educação verdadeiramente adotar prioridades que há mais de cem anos vêm sendo defendidas, mas pouco praticadas: a ênfase no pensamento crítico, na transferência do conhecimento para novas situações, na reflexão aprofundada. Isto porque a tecnologia não determina o que fazemos após recebermos uma resposta a um pedido. O que fazemos é uma decisão nossa. Podemos optar por aceitar uma resposta e usar o tempo para outras atividades, ou sermos mais ambiciosos e tentar ir além dela.

Isto porque a sociedade e a educação acompanham os processos educativos, mas centram o acompanhamento e avaliação (tanto para feedback como para certificação) na apreciação de produtos. Como os textos ou produções tinham de ser feitos pelos estudantes, permitiam analisar o seu pensamento. Essa elaboração, contudo, implicava o domínio de técnicas basilares, que eram também o foco do ensino, avaliação e produção.

Como agora essa produção se torna quase imediata e fácil, um desafio da educação será precisamente centrar o esforço não no domínio das técnicas basilares, mas sim na apreciação crítica, na definição da qualidade, na invenção de problemas para evolução, para definir novos objetivos. Isto porque até agora só políticos, dirigentes empresariais ou de organizações sociais dispunham de equipas de estagiários e especialistas ao seu serviço. Agora todos os cidadãos podem contar com uma equipa ao seu dispor. Todos podem ter ao seu serviço estagiários e especialistas, de inteligência artificial, com a natural incerteza quanto à qualidade e rigor do seu desempenho. Tal como com humanos, um estagiário pode fazer um trabalho de rigor ou inventar algo mal-amanhado, para tentar satisfazer um pedido. É preciso estar atento e ter sentido crítico para apreciar os contributos da equipa. Da mesma forma, um especialista pode estar a dar um contributo enviesado, interesseiro ou tendencioso, preocupações que quem a eles recorre tem de ter presentes. Desta forma, o novo desafio da educação será conseguir que as pessoas desenvolvam capacidades de coordenação destas equipas, de definição de objetivos, de aferição crítica dos contributos recebidos, de coordenação da qualidade e do sentido.

3.ª Intervenção no debate

Estas transformações da educação oferecem enormes desafios de implementação prática. A educação centra-se em processos humanos de apoio e acompanhamento: embora qualquer pessoa tenha a capacidade individual de aprender sozinha, estudando por si, sabemos que a não interação, quando vista de forma transversal à sociedade, tem poucos resultados. É essencialmente um processo entre humanos, acompanhando, encorajando, orientando, dando feedback. Mas o tempo e esforço da generalidade dos docentes estão organizados para a apreciação de produtos intelectuais estáticos. Para se poder acompanhar os processos intelectuais e não os produtos, torna-se necessário generalizar abordagens de aprendizagem baseada em projetos ou problemas, colaborativas, participativas. A generalidade dos professores não domina instrumentos ou processos para massificar estas abordagens com os números de alunos com que têm de lidar, pelo que se torna necessário uma grande reconversão individual e organizacional de todo o processo, de forma dificilmente previsível.

Leonel Morgado, 25 de maio de 2023

quinta-feira, março 30, 2023

Folhas de cálculo: como consolidar várias colunas numa

Um problema que volta e meia ocorre é como criar listas a partir de texto como este:

Relatório 1: Localidade1, Localidade2 Relatório 2: Localidade1 Relatório 3: Localidade2, Localidade 3, Localidade 4 ...

Podemos copiar isto para uma folha de cálculo como o Excel ou o Google Sheets, dividir o texto em colunas por ":", para nos livrarmos do texto "Relatório x".

Contudo, depois ficamos com algo assim:
Ou, se transpusermos:

Há muito tempo que procurava uma forma de transformar isto rapidamente numa coluna só na própria folha de cálculo, sem introduzir macros (depois a folha não pode ser partilhada tão facilmente com outras pessoas) ou sem processar com código o texto de origem (que por vezes está malformado e requer muitas exceções particulares, mais rápidas de detetar na folha de cálculo).

Pois bem, hoje o Bing Chat resolveu num instante. E funciona, aqui está em versão Excel de Portugal:

=SE.ERRO(ÍNDICE($A:$C;RESTO(LIN()-LIN($D$1);MÁXIMO(CONTAR.VAL($A:$A);CONTAR.VAL($B:$B);CONTAR.VAL($C:$C)))+1;INT((LIN()-LIN($D$1))/MÁXIMO(CONTAR.VAL($A:$A);CONTAR.VAL($B:$B);CONTAR.VAL($C:$C))+1));"")

No Excel em inglês:

=IFERROR(INDEX($A:$C,MOD(ROW()-ROW($D$1),MAX(COUNTA($A:$A),COUNTA($B:$B),COUNTA($C:$C)))+1,INT((ROW()-ROW($D$1))/MAX(COUNTA($A:$A),COUNTA($B:$B),COUNTA($C:$C))+1)),"")

A explicação vem a seguir. Vem em inglês, porque quando tento que ele use fórmulas em português faz misturas entre as fórmulas das versões de Excel de Portugal e do Brasil:






quarta-feira, março 01, 2023

IA imagina a fundação da Universidade de Coimbra com a assinatura do Scientiae thesaurus mirabilis

Hoje a Universidade de Coimbra, minha alma mater de licenciatura, celebra 733 anos de existência.
Como temática de homenagem, usei uma combinação de técnicas de inteligência artificial generativa para gerar imagens desse momento.

1.º Usei o chat do Bing para gerar um prompt para os sistemas de geração de imagens com Stable Diffusion:

A photojournalism shot of the signing of the papal bull "Scientiae thesaurus mirabilis" by king D. Dinis of Portugal in 1290, which granted privileges and immunities to the University of Coimbra. The scene shows the king and his court in a Gothic-style hall within the royal palace wing he built within the castle of Leiria. The papal bull is on a wooden table with a quill and an inkwell. The participants are wearing medieval clothing with rich colors and patterns. Some of them are Saint Elizabeth of Portugal (the king's wife), Afonso Sanches (the king's illegitimate son) and João Afonso de Albuquerque (the king's chancellor). Some are smiling, some are serious, some are curious. #historical #realistic #detailed

2.º Usei em paralelo o Midjourney e o Blue Willow com este prompt.

Midjourney:



Algumas variantes ampliadas:

Blue Willow:

Variante ampliada:


3.º: Reformulei o prompt para tentar evitar o estilo de pintura, usando as tags finais:
#historical style:realistic #detailed #cinematic #lifelike

Midjourney:


Blue Willow:

Variantes:
Ampliadas:

4.º: expliquei o problema ao chat do Bing, que me sugeriu alterar o prompt, mas os resultados foram idênticos.


5.º Pedi ao chat do Bing para reformular o prompt, mas impondo que todos os aspetos sobre a estética da imagem resultante fossem enfatizados no início:
#realistic #detailed #cinematic #lifelike A photojournalistic shot of the signing of the papal bull “Scientiae thesaurus mirabilis” by King D. Dinis of Portugal in 1290, which granted privileges and immunities to the University of Coimbra. The scene shows the king and his court in a Gothic-style hall within the royal palace wing he built within the castle of Leiria. The papal bull is on a wooden table with a quill and an inkwell. The participants are wearing medieval clothes with rich colors and patterns. Some of them are Saint Elizabeth of Portugal (the king’s wife), Afonso Sanches (the king’s illegitimate son) and João Afonso de Albuquerque (the king’s chancellor). They have different expressions on their faces: some are smiling, some are serious, some are curious. Additional details: The image has a high contrast and brightness that creates sharp edges and vivid colors. The lighting is natural and comes from the windows that cast shadows on the walls and floor. The depth of field is shallow and focuses on the king and his closest advisors, while blurring out the background characters. The perspective is slightly tilted and shows some distortion at the edges of the frame.

6.º Imagens resultantes:
Midjourney:

Blue Willow:

Variantes das mais fotográficas:










sábado, fevereiro 11, 2023

Educational Practices and Strategies with Immersive Learning Environments: Mapping of Reviews for using the Metaverse

I'm extremely happy. These results will help out a lot of people working in Educational Technology research. And perhaps in many other areas. If you work in wicked problem areas, in complexity, take a look.

This is not your typical "one more for the heap" review.

Educational Practices and Strategies with Immersive Learning Environments: Mapping of Reviews for using the Metaverse
https://ieeexplore.ieee.org/document/10041969

So much to unpack here. Let's start!

First, getting the bean counting out of the way. These results came out in IEEE Transactions on Learning Technologies, a Q1 top-10 journal in e-learning (Scimago), WoS IF 4.433, Q1 WoS JCR (Education & Educational Research), Q1 Scopus (Computer Science Applications, Engineering, Education).



Now for the interesting stuff.
Unlike most reviews, we set to provide a way to navigate Immersive Learning Research not only now, but for the future. One that can be updated, tested, and validated or contradicted.

We also sought to enable people to do replicable and comparable "outcomes" research.

The problem with seeking outcomes in complex areas and wicked problems - like learning research, but many other, is that you're usually comparing apples and oranges. One might say "oh, I got these results with technology". Another might say "Funny enough, I got different results with the same technology". "That's a start, but how did you use that technology? How was it introduced and involved in the overall activities?"

So most educational technology research isn't really replicable or comparable.
And wishing for detailed pedagogical descriptions and details is mostly unfeasible in today's research panorama: publications still impose page limits. Publications do not require detailed descriptions of practice. Only traditional and commonplace approaches are replicable with some degree of confidence on their similarity.

So we approached this by creating a framework from the literature. By mapping what is being done, and how it is being done, instead of searching for effects, impacts, or outcomes.

Here's what you'll find:

1. A working definition of "educational practices", "educational strategies"

    This provides a way to analyse the literature of a complex field of practice by categorizing actual reported accounts into "uses" (previously defined), "practices", and "strategies". This goes from operational, no explicit rationale actions ("uses"), to tactical, explicit rationale "practices", all the way to big-picture guidelines, theories or even structured pedagogic plans ("strategies").

    Thus, you can position research at similar practice levels of its description, and hopefully get more comparable and reproducible results.

2. A way to map the literature of a complex field by mapping its practices to its strategies

 This enables you to focus your inquiry on related areas. Instead of navigating long lists or trees of topics, by mapping practices to strategies, you can visualize clusters of affinity... and either focus your literature inquiries on those, of seek out connections and reports between distant clusters and nodes, to identify innovators or opportunities for innovation and discovery. 

3. An application of this to Immersive Learning Research

    We present the practices and strategies we identified in the field's literature and the clusters they formed when related to each other, providing a map. This outcome serendipitously looked like a brain, so it was dubbed "the Immersive Learning Brain". There is no intent to link it to actual biological brains!

4. This method can be scrutinized!

               The way we map practices to strategies:

                              - can be subjected to large-scale inquiry;

                              - can be redrawn with different criteria;

                              - enables those redrawings to be compared (for example, compare the theoretical affinity we used with actual co-occurrence in field reports).

We hope thus that this in itself can aid immersive learning researchers and practitioners directly, but also researchers in many other areas, who can adopt similar approaches to map their fields and, from then on, pursue more grounded research questions. Hopefully, to make insightful discoveries!

sexta-feira, fevereiro 10, 2023

Intervenção na Assembleia Municipal de Ansião (10 de fevereiro de 2023) - Santiago da Guarda

 Caros munícipes.

Cumprindo a nossa proposta durante as última eleições, novamente tivemos uma Assembleia Municipal descentralizada. Depois do Avelar, desta feita em Santiago da Guarda, com o acolhimento do CAAS - Centro de Amizade e Animação Social.


Deixo aqui a minha intervenção no ponto 1 da Ordem do Dia:
Ex.mo Senhor Presidente,

Tenho tido conhecimento das atividades culturais que vão acontecendo, mas várias vezes só após terem ocorrido.
É uma situação que se repete, trimestre após trimestre: imprime-se a agenda e envia-se... já decorridos vários dos eventos nela referidos. Este trimestre, chegou às caixas de correio já ia janeiro a meio, com eventos do início do mês que não foram divulgados atempadamente.
Mesmo quando a consulto online, constato que não constam dela eventos que a câmara organiza. Alguns ainda pude encontrar no Facebook, como a Homenagem ao Dr. Fernando Travassos. Mas outros que constam da agenda não constam do mural.
Mesmo quando são anunciados, são-no frequentemente de forma deficiente, algo "administrativa".
A última situação de que tive conhecimento foi de um conjunto de concertos de qualidade que ocorreu na mata com um punhado de pessoas presentes, resultado certamente da fraca divulgação, e decorrente desaproveitamento do investimento público.
Fui tentar saber o que ocorreu, mas tive de ir ao sítio Web do espaço Esporo Cultura:
Concerto: Homem em Catarse
Performance: Carmim de Joana Martins
Concerto: Mário Delgado
Performance: Rizoma de Rita Carmo Martins
Concerto: Sérgio Carolino

Fui ver o que dizia a Agenda Cultural do Município. Para 18 de setembro, consta apenas: "Apresentação da Rota Esporo - Será apresentado o resultado de um projeto cultural e artístico". Mais opaco não podia ser.

"Resultado de um projeto" é muito diferente de dizer aos munícipes "vários concertos e performances".

Seria possível, já que se emprega dinheiro público para os eventos e para a sua divulgação, que haja divulgação adequada e que ela ocorra antes dos eventos, não depois? Como pensa mudar a prática que se vem enraizando, de deixar ao sabor do acaso essa divulgação?


quinta-feira, fevereiro 09, 2023

AI perspectives on Middle-Earth by Blue Willow


Engine: BlueWillow

Prompt: "Middle-Earth as seen by [character]"

Results...

Middle-Earth as seen by barbarians



Middle-Earth as seen by Eagles



Middle-Earth as seen by the unknown things that not even Sauron knows, they are older than him

Middle-Earth as seen by Ülmo

Middle-Earth as seen by Eru Ilúvatar


sexta-feira, novembro 25, 2022

Intervenções na Assembleia Municipal de Ansião (25/11/2022)

 Caros munícipes,

Aqui deixo as duas intervenções que acabei de fazer na Assembleia Municipal de Ansião, a 25 de novembro de 2022.


A primeira intervenção foi por não ter sido celebrado o dia 25 de novembro, ignorando a recomendação nesse sentido votada favoravelmente pela Assembleia Municipal.

"Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal e deputados,

Ex.mo Senhor Presidente de Câmara,
Público presente e online,
comunicação social:

Celebra-se hoje um dos dias mais importantes para a nossa democracia, o 25 de novembro. Foi votada nesta assembleia uma recomendação ao executivo municipal para que passasse a ser comemorado, mas para minha grande surpresa não houve qualquer iniciativa da câmara. Saúdo, assim sendo, a democracia num dos seus grandes dias.
Peço um esclarecimento sobre esta atitude da Câmara de ignorar a recomendação da Assembleia, mas como há muita desinformação e desconhecimento, desejo enquadrar com uma leitura que, creio, diz muito ao Partido Socialista. Trata-se da reflexão pública do seu antigo dirigente e antigo presidente da república, Mário Soares, publicada na revista Visão a 2 de dezembro de 2010, da qual passo a ler:

BREVE REFLEXÃO SOBRE O 25 DE NOVEMBRO 
por Mário Soares 
Passou na última 5ª. feira o 35º. aniversário do 25 de Novembro de 1975. A maior parte dos 
leitores jovens, desta breve crónica, talvez não saiba sequer do que se trata. E, no entanto, é, na história contemporânea de Portugal, uma data tão importante, para a afirmação da democracia pluralista, pluripartidária, e civilista, que hoje temos, como a Revolução dos Cravos. 
Não tenho nenhum gosto de levantar polémicas passadas. Mas a verdade é que a memória 
histórica não deve ser esquecida. Sobretudo, quando os responsáveis de termos estado à beira da guerra civil, o Partido Comunista e a Esquerda radical - lembremo-nos dos SUVs e do poder popular - nunca fizeram uma autocrítica a sério do seu comportamento passado, como lhes competia. 
Pelo contrário, continuam a pensar - e às vezes a dizer - que o 25 de Novembro foi uma contra-Revolução, que impediu que Portugal fosse uma Cuba europeia. Onde estariam hoje esses responsáveis - e os seus herdeiros - se tivessem ganho? Seguramente não viveriam tão bem e em paz como hoje, felizmente, vivem. (...)"


A segunda intervenção aborda um problema na Urbanização da Fonte:



Ex.mo Senhor Presidente de Câmara:

Constatei com agrado, no trajeto que faço a pé com o meu filho para a escola primária, obras que infiro sejam para criar uma passadeira no cruzamento da Urbanização da Fonte com a Rua da Biblioteca. É de facto um trajeto frequentado por muitas crianças e famílias a pé e fazia falta. Os meus parabéns.

Reparei que havia também obras no interior da Urbanização da fonte, que circundei, e constatei tratarem-se de várias passadeiras, o que me causou já algum espanto, porque se trata de um espaço quase fechado, de baixíssimo trânsito, onde o risco aos peões é diminuto e desta forma se eliminaram vários lugares de estacionamento onde não há alternativas próximas. Abordei o senhor Presidente de Junta e moradores, que me manifestaram igual surpresa pela iniciativa. Gostava de saber se a iniciativa partiu da câmara e com base em que lógica.

sexta-feira, setembro 30, 2022

Intervenção na Assembleia Municipal de Ansião (30/09/2022)

Caros munícipes,

Foi este o teor da minha intervenção no período antes da ordem do dia da Assembleia Municipal de Ansião de 30 de setembro de 2022:



"Ex.mo Senhor Presidente,

Trago boas notícias. Segundo o Expresso de 26 de agosto, e cito, o "Número de inscritos nos centros de emprego está em mínimos." Estamos a nível nacional a ver os efeitos de recuperação económica após dois anos de pandemia, o que nos alegra. Particularmente porque perante as perspetivas generalizadas de crise que se avizinha na Europa, toda a recuperação que possa ser feita agora é urgente. Mais até porque a governação socialista do país levou a que não tenham sido feitas as reformas necessárias, pelo que a capacidade de resposta do governo a essa crise será limitada.

Contudo, embora as notícias sejam boas para o país, há uma segunda metade da notícia do Expresso: é que nos 300 e poucos concelhos do país, "Só 17 concelhos do país contrariam a tendência". Ou seja, só em 17 concelhos é que o número de desempregados não diminuiu. E Ansião é um deles. Nem mais desempregados nem menos, está na mesma, não aproveitou a recuperação.

Senhor Presidente: recordo que nas minhas primeiras intervenções enquanto deputado municipal, em 2017, critiquei a sua opção de adiar para 2021 a expansão do Camporês, que recebeu financiada para concluir até 2019. Alertei que cada mês sem haver lotes para acolher empresas representa um risco de perda de oportunidades de emprego. São pessoas que deixam de vir para Ansião por não terem aqui emprego, são pessoas de cá que têm de sair. Pois bem: não estamos em 2021, estamos em 2022 quase em 2023 e ainda hoje vamos votar expropriações para essa expansão.

Chega-se ao ridículo, senhor Presidente, de ter inaugurado uma expansão que ainda não está feita. Deixo-lhe, por isso, duas perguntas:

    * a primeira: agora que inaugurou a expansão pergunto-lhe se a seguir irá lançar a primeira pedra;

    * a segunda: em vez de lamentarmos o que não está feito, pergunto se não é ocasião de agir com urgência, de completar esta expansão do Camporês."

Retorquiu o senhor deputado Nuno Costa e respondeu o senhor Presidente da Câmara que o desemprego em Ansião é "estrutural" e que não liga as duas coisas.



Intervim novamente, face à resposta:

"Senhor presidente, respondeu-me que o desemprego em Ansião é estrutural e que por isso não o ligava ao atraso da expansão do Camporês. Pergunto-lhe então se posso interpretar da resposta do senhor presidente que considera que nenhum dos 247 desempregados inscritos no centro de emprego em Ansião poderia ser empregado em novas empresas, caso elas se tivessem podido instalar no Camporês.

Senhor Presidente: baixar os braços nunca é resposta adequada a este problema. Explique-me então como é que Ansião tem 247 desempregados "estruturais" quando os restantes concelhos do interior do nosso distrito, com características semelhantes e menos atividade económica, viram diminuir o número de desempregados: Alvaiázere (109, menos 7 desempregados do que há um ano), Figueiró dos Vinhos (129, menos 31), Castanheira de Pera (61, menos 6) e Pedrógão Grande (93, menos 28). 

Pelo contrário, creio que haver novas empresas, haver oportunidades de as captar, só poderia ter beneficiado o concelho. O atraso da expansão do Camporês tem este custo social. Apelo a que não se varra isto para o encolher de ombros do termo «estrutural»."


sexta-feira, fevereiro 25, 2022

Intervenção na Assembleia Municipal de Ansião (25/fev/2022)

 Caros munícipes,

Aqui deixo o teor da minha intervenção na Assembleia Municipal de Ansião de dia 25 de fevereiro de 2022.

"Ex.mo Senhor Presidente

Embora estejamos em época de seca, recordo que temos cheias regulares no Nabão, só na última década houve-as em 2013, 2019 e 2020. A mudança climática pode até vir a agravar esta situação, com alternância maior entre épocas de seca e de chuvas intensas breves.

Em mais de uma década, as pontes do Parque Verde têm resistido a estas ocasiões, quer por terem um perfil estreio que oferece pouca resistência à água, quer por permitirem alguma elevação pela força das águas, o que tem possibilitado reparações e recolocações relativamente simples e rápidas.

Houve agora intervenções no Parque Verde, que são oportunas, como sejam as reparações de piso e sua repintura. Algumas pontes passaram a ser fixas em acessos de cimento, que pergunto se acautelaram o comportamento em cheia ou se será de avaliar.

Também a ponte junto ao parque infantil a poente foi substituída por uma bastante mais volumosa, que apresenta um perfil lateral bastante largo, pelo que pergunto se a inevitabilidade das cheias foi considerada.

É aliás esteticamente tão diferente das restantes que pergunto ainda se essa alteração é apenas casual ou não, se reflete alguma outra intenção.

Refira-se, contudo, que essa ligação ao Parque Infantil esteve sem ponte durante prolongadas semanas. Também as intervenções no piso surgiam sem os cuidados devidos de trajeto: chegou-me a acontecer mais de uma vez passar num sentido livremente e ao chegar ao final descobrir que estava num espaço supostamente vedado... só tinha sido vedado de um lado. Também há pequenas reparações, como as tábuas partidas das pontes entre a Ponte da Cal e o Moinho das Moitas que se mantêm assim há longas semanas; ou a grafitagem de insultos que se mantém, precisamente na nossa histórica Ponte da Cal. Pergunto, por isso, se é possível haver um mais cuidado acompanhamento superior destes aspetos. Dado que os funcionários municipais lá vão diariamente, deveria haver uma prática regular de sinalização, registo e intervenção das reparações necessárias. Creio que falta aqui algum acompanhamento e se me pudesse esclarecer, agradecia."

Respondeu a esta intervenção o presidente, dizendo que fiz um "elogio fúnebre" em vez de elogiar a "muito adiada requalificação". Que as pontes que lá estão foram "descontinuadas" e que não é verdade que tenha estado inacessível o parque infantil.

Intervim novamente, para clarificar:

"Senhor presidente, vou deixar claro que elogiei o que foi feito. Sem hesitação. E levantei aspetos a ponderar, que ainda podem ser ponderados agora, num sentido construtivo. Para melhorar. Para que as coisas que foram feitas possam se analisadas, porque as cheias não são já para amanhã, pelo que há tempo e oportunidade para refletir. Pelos visto sugerir melhorias e cuidados incomoda-o. Olhe, estou aqui para ajudar a melhorar o concelho, quer goste, quer não goste. Se quiser fazer melhor acolha, se não quiser, ignore, pondere e faça como entender.

O que foi feito foi manutenção regular. Que deve ocorrer regularmente e não acontecia há muito. Podia ter criticado estarmos nesta situação de elogiar manutenção, de tão rara que tem sido. Mas não, até quis ser construtivo. E levei com paus em cima. Seja. Só que se andamos a chamar "requalificação" a mera manutenção, vamos mal. Também ajudo a perceber - pois tomei o cuidado de registar a minha intervenção - que eu não referi que o parque tivesse estado inacessível. Referi que aquela ligação - aquela ligação - ficou sem ponte várias semanas. O problema não foi esse aspeto em particular: foi um dos vários exemplos que dei, para ilustrar o aspeto essencial. E que foi que nesse ponto e restantes faltou acompanhamento cuidado superior das intervenções. Se houver melhor acompanhamento, beneficiam todos os munícipes.

Aliás, ficava-lhe bem notar que estas indicações só servem para melhorar os serviços do município, e acolhê-las com mais humildade. Afinal de contas se as fizer, a si virá o mérito, não a mim."

segunda-feira, setembro 27, 2021

Novo mandato na Assembleia Municipal de Ansião

Caros munícipes de Ansião:

Decorridas as eleições autárquicas, ditou o resultado ter sido eleito para vos representar na bancada do PSD. Assumirei novamente este desafio de ser deputado municipal do PSD em Ansião, agradeço-vos a confiança que nos tornou o partido mais votado na Assembleia Municipal. Como o PS foi o partido mais votado para o executivo, compete-lhe dirigir o concelho e à oposição acompanhar e fiscalizar a sua atuação, aconselhar e contrapor. Como nos últimos quatro anos, analisarei as propostas do executivo PS e a situação do concelho, questionarei os pontos de dúvida ou erro, farei sugestões de melhoria ou de iniciativas diferentes, exporei e criticarei o que se revelar torpe ou desleal.

O desejo é que se possa melhorar.

Continuarei a publicar transparentemente as minhas intervenções neste blogue http://andabata.blogspot.com/



sexta-feira, setembro 10, 2021

Em agosto, houve mais exemplos do que têm sido estes quatro anos...

Caros munícipes,

Hoje decorrerá a última assembleia municipal deste mandato autárquico.

Tenho nestes anos tentado, a cada assembleia, trazer a público sugestões para melhorar o concelho, mas acima de tudo tal tem sido o desleixo do executivo PS, que geralmente o mais crítico é tentar evitar os problemas mais graves, de tão evidentes que são. Começaram logo em 2017 por adiar a execução da expansão do parque empresarial para 2021 e tive de lhes fazer ver que além disso adiar a fixação de empresas implicaria... ir para além do prazo do programa de apoio comunitário que terminaria em 2020... adiar para 2021 seria não só um erro que prejudica a criação de empregos no concelho como implicaria contar com possibilidades de adiamento dos prazos antes deles serem concedidos!

Quase todas as perguntas que fiz e documentei neste blogue, ficaram sem resposta - ou tiveram resposta retórica, sem factos. Em 2019 lembrei que já se acumulavam 20 perguntas sem resposta desde 2017. Em 2021 este número só aumentou. 

Renovo a minha disponibilidade para ser deputado municipal, integrando a lista de candidatos às próximas eleições.

No próximo domingo, 26 de setembro de 2021, somos todos chamados a votar para escolher quem governará o concelho de Ansião nos próximos quatro anos. Se o descalabro de desperdício, desleixe, perda de oportunidades e mesmo destruição de património (ai, painel de azulejos da Rainha Santa!) do atual executivo PS, ou se as propostas que a atual vereadora do PSD na oposição sem pelouro, Célia Freire, tem vindo a fazer com rigor, com esforço e sacrifício para de além da sua vida profissional. A Célia sempre se pautou por olhar para o que é realmente necessário e não para o que simplesmente fica bem numa notícia ou publicação. Mais que parecerem bem, as decisões deve funcionar bem!

Já com as medidas para apoiar o concelho em tempos de COVID-19 assim foi: o PS chumbou as propostas do PSD para depois as propor nos meses seguinte e aprovar, para fingir serem suas. Prejudicado não foi o PSD: prejudicados foram os ansianenses, que podiam ter beneficiado dessas medidas meses antes! Só foram prejudicados para o PS poder dizer "fomos nós".

E nas atas da reunião de câmara do início do mês passado, que hoje recebi, temos mais um (tantos têm sido!) exemplo do que tem sido este mandato do PS ao longo de quatro anos: fazer para parecer bem, com o PSD a sugerir coisas práticas ignoradas que fazem a diferença.



sábado, junho 26, 2021

Intervenção improvisada na assembleia municipal de Ansião de 25 de junho de 2021

Caros munícipes,

No seguimento de alguma controvérsia sobre o que os deputados do PSD, Sónia Moreira e Rui Forte, podiam ou não dizer durante o primeiro ponto da ordem de trabalhos, sobre a atividade do município, fiz esta intervenção de fundo.

Podem constatá-la às 2:04:30, neste endereço: https://www.facebook.com/ansiaotv/videos/330697891917571



Obrigado, Senhor Presidente.

Eu venho agradecer-lhe o contributo que tem estado a dar para a qualidade da intervenção dos membros da bancada do PSD, porque de facto, embora a retórica seja demorada, todos teremos a ganhar em que seja mais breve, então permito-me completá-la.

Porque eu interpreto a situação atual da atividade do município. Não podemos separá-la, de facto, de ser um fim de mandato. Temos de comparar se se modificou alguma coisa neste tempo ou não. E o que vejo é uma continuidade de tudo aquilo que vemos ou de inação, ou desenrasco ou até de alguma falta de atenção aos munícipes que assim o mereciam.

Porque de facto, Senhor Presidente, eu gabo-lhe a capacidade de conseguir pôr uma ênfase retórica e ir buscar um catálogo de expressões populares e a cara de frontalidade com que diz as maiores inverdades e acusa os outros.

Eu lembro-me por exemplo do dia em que me acusou de ser ignorante em contabilidade para hoje comprovarmos que o Camporês, que eu apontei em 2017 que o senhor a primeira coisa que fez foi adiar para 2021 a sua execução, e estamos em 2021 e ainda agora mal começou. Na altura disse-me que eu não estava a falar verdade. Eu lembro-me quando referi, famosamente essa vez que me chamou de ignorante em contabilidade, que retirou 500.000 euros da execução. É verdade que eles de lá saíram, e aqui estamos. Eu recordo-me que quando acusam o PSD de tudo e mais alguma coisa, de inverdades, mentiras e tudo o mais, curiosamente não conseguem indicar os factos... dizem só: "aquilo foi mentira!" Mas não dizem o facto corrigido, porquê? Porque não era mentira. Quando nos acusam de ser contra a democracia e têm a JS a falar contra a democracia nas redes sociais... curiosamente nos grupos da JS privados chamam-nos os "fachos de Ansião". Os fachos de Ansião. Porque o PS respeita tanto a democracia, que insulta e encara como antidemocráticas as pessoas que, meramente, meramente se lhe opõem. A inatividade do município foi grande e aquilo que a minha colega Sónia Moreira tentou fazer e o meu colega Rui Forte, foi mostrar que o município que tão depressa divulga que há corte de água na Aguda [concelho de Figueiró dos Vinhos], que apoia idosos de Figueiró dos Vinhos [fora do concelho de Ansião] a ir aos programas de televisão, tão depressa divulga pequenas atividades... ignora atividades culturais muito significativas e representativas dos ansianenses, ignora atividades económicas muito representativas, ao mesmo tempo que outras promove, apenas e só porque - constantemente, Senhor Presidente, neste momento não vale a pena porque toda a gente já percebeu, todos os munícipes perceberam, de facto - que este município não lê, nem estuda, nem prepara: compra, encomenda e paga, para dar nas vistas. 

Este executivo não é coerente e os próprios correligionário do PS publicamente estão desiludidos e compreendem que, de facto, é contraditório, é desenrasco, é... vêm para aqui falar mal e acusar... eu neste momento já compreendi: muitos destes nossos colegas aqui até que preferem insurgir-se - não sei o que é que lhes dizem para se insurgirem tanto - do que ver os factos. Porque os factos são tão óbvios, tão transparentes, que neste momento, Senhor Presidente, olhe, a atividade do município agora é basicamente a mesma que fez nos quatro anos, foi perder o município quatro anos de atividade, perder oportunidades, desperdiçar dinheiro, corrigir coisas, e mais grave: perder património. Porque perdemos património nestes quatro anos que não foi defendido. E foi destruído. Perdemos empresas que foram para outros lados por inação e sabe porquê? O pecado maior deste partido, PS, deste executivo, foi apenas o orgulho. Porque só tinha que pegar nas ideias que fossem boas, preparadas de trás e executá-las por serem boas. As que não executou não foi por não serem boas: não executou porque quis dizer que eram suas as que executava. Foi apenas orgulho: eu disse-lhe aqui, há dois anos talvez: "execute o que é bom; porque nós podemos gritar o que quisermos a dizer que a ideia foi nossa, que o mérito é de quem faz". O senhor quis ficar com o mérito da ideia e com a execução. Não teve nem uma coisa, nem outra. E é uma pena que continuem a ignorar toda a atividade do que disse a minha colega Sónia, do que disse o meu colega Rui Forte, do que estavam para dizer outras pessoas... ignoram-se atividades apenas porque pessoas como o Luís de Matos e outras não são apoiadas pela câmara enquanto outras pessoas o são. E isso... é algo que os munícipes veem, diga o senhor o que disser aqui. Muito obrigado.

sexta-feira, junho 25, 2021

Intervenção na Assembleia Municipal de 2021-06-25

 Caros munícipes,

Apresento o conteúdo da minha intervenção na Assembleia Municipal de 25 de junho de 2021.

Ex.mo Senhor Presidente,

Foi noticiado esta semana, na imprensa nacional, em pelo menos dois órgãos de comunicação social, que Ansião é um dos municípios em incumprimento da lei de proteção de dados dos cidadãos, que entrou em vigor em 2018.

Em particular, o Regulamento Geral de Proteção de Dados obriga à nomeação de um encarregado de proteção de dados, sendo Ansião apontada como um dos poucos municípios que ainda não o fizeram.

O município, além de estar sujeito a qualquer momento a coimas elevadas da Comissão Nacional de Proteção de Dados, está neste momento sem alguém designado para informar e aconselhar internamente o executivo e os funcionários quanto às obrigações de proteção de dados constantes da lei. Sem ninguém designado para controlar o cumprimento da legislação de proteção de dados, fazendo auditorias, sensibilização e formação, aconselhamento, etc. Sem ponto de contacto com a Comissão Nacional de Proteção de Dados ou com os munícipes especificamente relacionado com este problema.

São os dados dos munícipes, dos funcionários, dos deputados municipais e dos autarcas que estão em causa, além de outros cidadãos que recorram aos serviços municipais.

Como vimos recentemente com as situações dos Censos e da Câmara Municipal de Lisboa, pode estar em causa, por exemplo, o envio indevido de dados pessoais para fora do espaço da União Europeia. Outro riscos recente viu-se quando houve nas Finanças quem tivesse acedido anonimamente ao dados fiscais de políticos apenas para motivos de curiosidade pessoal ou para o seu aproveitamento político-mediático. Há ainda o risco de utilização indevida de dados pessoais para favorecimento ou prejuízo de familiares, vizinhos ou outras pessoas.

Por exemplo, temos na documentação enviada para esta assembleia o nome integral de uma engenheira da município e a sua assinatura digitalizada. Esta documentação foi-nos fornecida via Google Drive. Está em condições de nos assegurar que a conta Google Drive utilizada está configurada para garantir que estão a ser servidores situados na União Europeia ou poderá estar com as configurações de origem, com servidores nos Estados Unidos? Este tipo de questões fica no ar sem um Encarregado de Proteção de Dados.

Introdução à informática na educação (programação em particular)


Quando lecionava na Universidade Aberta o Seminário de Prática Pedagógica do grupo de recrutamento 550 (Informática), no curso de profissionalização em serviço de docentes do ensino básico e secundário, deparei-me com limitações de muitos na leitura refletida em inglês.

Assim, traduzi para português os materiais de apoio em inglês que tinha selecionado.

Publiquei-os hoje no Repositório Institucional da Universidade Aberta, como recursos educativos.

Aqui ficam enquanto coleção para os colegas interessados.

A programação de computadores na educação
    Tradução de um capítulo da minha tese de doutoramento que dá um panorama das três principais formas de usar a informática na educação: computadores como ferramenta de ensino, computadores como ferramenta de aprendizagem, computadores como ferramenta metacognitiva.

Introdução: O que é o Logo? E a quem faz falta?

Para compreender o valor dos computadores (e da programação) como ferramenta metacognitiva, as melhores palavras que conheço são as de Seymour Papert. Aqui ficam, traduzidas para português.

Compreender a rede de conhecimento, a aprendizagem e o conetivismo

    No ano em que entreguei a tese (2005)... Stephen Downes publicou também o seu texto original sobre o conetivismo. Desde então as abordagens conetivistas, reticulares, onde "o conhecimento é a rede" têm vindo a assumir grande importância. Para as conhecer, como quarta principal forma de usar a informática na educação, traduzi este texto de colegas da Universidade do Minho.

A programação de computadores regressa à escola

    Mas a prática não se faz só com conceitos gerais. É preciso beber do que se faz no terreno. E para esse efeito proporciono dois panoramas gerais sobre isso: este da equipa da Yasmin Kafai...
Pensamento computacional do pré-escolar ao secundário: uma revisão do estado da área

    ...e este da equipa do Roy Pea, geralmente muito mais crítico, proporcionando assim visões complementares.

Boas leituras!

sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Intervenção na Assembleia Municipal de 26 de fevereiro de 2021

Caros Munícipes,

Deixo aqui o conteúdo da minha intervenção na Assembleia Municipal de 26 de fevereiro de 2021. A título pessoal, expresso que vinquei, sem êxito, que deveria decorrer totalmente online. Assim, apresentei-me em respeito pela democracia. Diga-se que me tranquilizam o recurso generalizado a máscaras KN95, imposto à entrada, o distanciamento nos lugares, a opção por não haver intervalo, minimizando o tempo total, e o protocolo de apelo à não remoção das máscaras para falar. Ainda assim, optei por colocar uma segunda máscara FFP2 em cima da KN95.

No 1.º ponto da ordem de trabalhos:

Senhor Presidente: 

A atividade do município é de abandono dos ansianenses. 

Dizia há pouco a deputada Filomena Valente que a sorte é fruto de muitos acasos e tentava atribuir com isso o mérito ao executivo. Eu concordo, mérito bom e mérito mau. Mérito pelo que faz bem, que é pouco e demérito pelo que faz mal e não faz, que é a maior parte.

Confrontei pessoalmente o Senhor Presidente quando se descobriu que havia sigilosamente muitos casos de contágio de COVID-19 em Ansião. Os ansianenses foram enganados. Sentiam-se tranquilos sem novos casos anunciados pela Direção-Geral de Saúde, não contrariada pela Câmara. Descobriram a verdade quando se viram classificados de um dia para o outro como concelho de risco elevado, quando não foi mais possível esconder a verdade.

Mas o executivo liderado por si, senhor presidente, que preside à Comissão Municipal de Proteção Civil, sabia a verdade. Sabia que estavam a ocorrer muitos casos em Ansião. Que o grau de risco para os ansianenses era muito maior do que aquele que os munícipes julgavam. Ainda hoje nos mostrou isso. Perguntei-lhe então, estávamos os dois no Fundo da Rua:: "porque não meteu os números reais cá fora, já que sabia quais eram?" 

Agora, no sítio próprio, divulgo aos ansianenses a sua resposta, que tem duas partes. Ambas as partes revelam o abandono a que os ansianenses estão votados.  

Primeiro disse-me que não informou os ansianenses porque não lhe competia fazê-lo.

É todo um resumo deste executivo: faz o que quer e aquilo a que o obrigam. Não o que deve. Abandonou os ansianenses. Podia tê-los informado e não informou.

Depois perguntou-me a mim próprio que diferença me faria.

Eu só só uma pessoa. O senhor presidente é só uma pessoa. Mas há mais 12.000 ansianenses. Nem todos se comportavam então com cuidado. Certamente que se estivessem mais informados, poderiam ter decidido resguardar-se. "Quem não sabe, é como quem não vê."  

Esta segunda parte completa o resumo deste executivo: não acredita na inteligência dos ansianenses. Acha que pensa melhor que todos, não apoia, impõe. Quis impor que os pais ficassem com os filhos quando não havia escola, sem saber se tinham condições. Agora desprezou que pudessem decidir melhor quando sabia - sem que os ansianenses soubessem - que havia muito mais contágio no concelho.
A culpa do contágio pode ser de muitos, mas a culpa de não decidirem plenamente informados já não: é só de alguns. 

Pergunto: não se arrepende?

O que pode mudar hoje, na atividade do município? Já teve muitas propostas dos vereadores do PSD, que ainda faz por ignorar. Passámos o pior mas vai ficar apenas à espera que o pior não volte como fez o governo PS do país depois da 1.ª vaga?  

No 3.º ponto da ordem de trabalhos:

Senhor Presidente:

Respondo primeiro ao repto que me fez no primeiro ponto. Nestes três anos e meio, nesta Assembleia, evita as questões de facto, refugia-se em figuras de estilo e opiniões. Senhor Presidente, não assumir falhas significa não as corrigir e portanto prejudicar os ansianenses. 

Se acha que as pessoas se deixam enganar por responder, com sarcasmo "agora a culpa é toda minha, peço desculpa pelos mortos todos" quando lhe apontam falhas específicas... As pessoas que pensem nisso e ajuízem.

Se concorda com os seus deputados quando dizem que as pessoas é que têm de ser responsáveis e os números não importam, os munícipes a ver a transmissão que achem se concordam: se acham que tanto faz saberem a verdade ou não. Eu acho que as pessoas devem saber - e decidir sabendo. Mas o senhor Presidente e o PS acham que tanto faz.

Ao contrário do que afirmou, que acha que divulgar os números não fez diferença, porque houve muitos casos de COVID-19 na mesma... Haja coragem para encarar a realidade, Senhor Presidente! As pessoas que ao saber da situação pior tenham passado a usar mais vezes e com mais cuidado a máscara, terão evitado alguma situação de risco. Essas pessoas acabaram por ser casos a menos e pouparam também os seus familiares e demais contágios que provocariam. Os casos subiram muito mas menos do que teriam subido. O senhor salvou pessoas certamente, a partir do momento em que passou a divulgar os números reais. E não as salvou, quando podia ter salvado, nos meses anteriores em que não o fez. Nos meses em que se ficou pelo que aqui disse hoje: não era consigo, era com a comissão, era com a proteção, era com a delegação. Houve vários presidentes de câmaras que pensaram de outra forma: não era com eles mas iriam agir na mesma. Não há forma de evitar os erros todos. Mas não os reconhecer, sem sarcasmo, aumenta o risco de não aprender com eles.

Vamos então a este ponto 3. 

O senhor disse aqui que asfaltou caminhos florestais porque lho pediram. Fez uma escolha. 

Mas por que motivo escolhe usar os dinheiros disponíveis para asfaltar caminhos florestais, sem casas, enquanto que para outras necessidades das famílias a resposta foi como disse aqui hoje, que "o dinheiro não é elástico"? Porque é que os dinheiros disponíveis tiveram um destino que pouco apoio teria dos cidadãos, enquanto que aquilo que os cidadãos necessitam vai ser pago por empréstimos?

Ou seja: aquilo quer toda a gente quer vem aqui à Assembleia ser discutido para ser aprovado por empréstimo, para nos acusar de sermos contra as obras. Mas aquilo que interessa a poucos paga-se com o dinheiro disponível sem vir aqui ser discutido. Porque é que fez esta escolha?